Somos um verbo a cada vez.

September 20, 2015

“Como é possível que alguém faça ‘mais de uma coisa ao mesmo tempo’ se só podemos ser um verbo a cada vez?” É uma pergunta legítima que escuto, certamente. Assim como ensinou Aristóteles, somos capazes de subordinar inúmeras finalidades prévias à uma finalidade última. Podemos executar atividades em função de outras atividades e etc. O nosso ser, todavia, está unicamente presente neste fim último, prescrevendo as direções para as outras atividades contribuírem com sua realização (a causa final).  Aristóteles diria isso, enquanto um argumento de inspiração budista diria que a mente pensa muitas coisas ao mesmo tempo. O ser é acessado pela intenção fundamental (ou fim último) – ou pelo verbo. Só há um verbo, ser. O pensamento é apenas reflexo do ser, embora pleiteie autonomia. As atividades humanas são pensamentos, reflexos, do ser humano. Que fique claro que todas essas considerações não se apoiam sobre uma crença no tempo cronológico. Por exemplo: faço “duas” coisas ao mesmo tempo se toco violão e canto, mas sou apenas música. O fazer se dá na cronologia da mente que faz. A mente é co-autora, o ser é a abertura da possibilidade. 

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