Virtudes aparentes

December 31, 2017

Levou muito tempo até que eu percebesse que algo que considerava incondicionalmente uma virtude era também fonte de sofrimento psicológico. Refiro-me a ideia de perfeição ou “perfeccionismo”. Se perguntarmos às pessoas que nos cercam, de maneira geral, veremos que associam-se atributos virtuosos a essa palavra normalmente. E de fato, ao refletirmos sobre o ímpeto em direção a uma possível perfeição, o eterno sonho de ser criador de mundos, teremos mais motivos para nos orgulhar da humanidade que para repreendê-la. Certo. Esquecemos, todavia, que temos toda uma vida de processos e escolhas para realizar enquanto almejamos compreender o que seja e como alcançamos essa “perfeição”; qualquer mestre em qualquer arte concordará conosco que  buscar a perfeição é bonito e em si mesmo realizador, mas achar que a encontrou é causa de problemas e estagnação. Muitos vão dizer: todos sabemos disso, isso é óbvio – e exatamente por isso, é esquecido. O nosso intelecto racional rouba a cena, constrói uma ideia que ele considera perfeita (o que é ótimo porque assim ele conhece seu próprio limite!) e, quando menos esperamos, somos escravos dessa ideia de perfeição, e não mais caminhantes na busca da perfeição. Não se escravize, apenas caminhe.  

 

Moral da história: suas “qualidades” também devem ser observadas de perto, não apenas os “defeitos”. Não confie cegamente em nenhum dos dois. “Trate com equanimidade ambos os impostores: o triunfo e a derrota”, ensina o mestre Iyengar.

 

Ao grande  amigo e exemplo, Bruno Massa.

Please reload

Recent Posts

April 19, 2019

September 29, 2018

January 3, 2018

Please reload

Archive
Please reload

© 2019 por Leonardo Machado & Pedro Henrique Faria. Obrigado Wix.com